Após horas de especulações, Yusuke Otsuka, cofundador da Coincheck, informou em uma entrevista coletiva à noite na Bolsa de Valores de Tóquio que a companhia não sabia que os 500 milhões de tokens haviam desaparecido, mas a firma está empenhada em garantir a segurança de todos os ativos dos clientes. A Coincheck havia anunciado anteriormente a suspensão de todos os saques, a paralisação das negociações de todos os tokens, com exceção do bitcoin, e a interrupção dos depósitos em moedas NEM.

“Estamos analisando os fatos em torno da Coincheck”, afirmou a Agência de Serviços Financeiros do Japão em comunicado. Este desaparecimento provavelmente é uma das maiores perdas ou roubos de ativos de investidores desde o advento das moedas digitais, com o lançamento do bitcoin em 2009.

A NEM, 10ª maior criptomoeda em valor de mercado, caía 7,5 por cento no período às 11h28 em Nova York, para US$ 0,86, segundo o Coinmarketcap.com. O bitcoin registrava uma queda de menos de 1 por cento, e o ripple recuava 5 por cento, de acordo com os preços disponíveis na Bloomberg.

No Japão, um dos maiores mercados de criptomoedas do mundo, as autoridades lançaram um sistema de licenciamento para ampliar a supervisão dos negócios locais a fim de evitar a repetição do colapso da bolsa Mt. Gox, que sacudiu os mercados de criptomoedas em todo o mundo em 2014. Naquele momento, o roubo de bitcoin foi estimado em cerca de US$ 450 milhões, embora esse número tenha sido modificado posteriormente.

As bolsas de criptomoedas, das quais muitas operam com pouca ou nenhuma regulação, sofreram uma série de interrupções e cortes em meio à explosão do trading que empurrou o bitcoin e seus pares a altas recorde no ano passado.

Assim como o bitcoin, a NEM é uma criptomoeda construída com base no blockchain, mas que usa um método mais ecológico para confirmar as transações, segundo seu website. A mineração de bitcoin exige um poder de computação significativo, diferentemente da NEM, segundo a própria.

Fundada em 2012, a Coincheck contava com 71 funcionários em julho e tem sede no distrito de Shibuya, uma área popular de Tóquio entre as startups, inclusive da Mt. Gox, segundo o website da Coincheck. No ano passado, começou a exibir comerciais nas emissoras de televisão do país apresentados pelo popular comediante local Tetsuro Degawa.

Por Yuji Nakamura e Andrea Tan, da Bloomberg

Fonte: Exame.com

Disponível em: https://exame.abril.com.br/tecnologia/ataque-a-bolsa-de-criptomoedas-rouba-mais-de-r-1-bilhao/

Foto: Folha de Londrina

 

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